DESCUBRA UMA NOVA FORMA DE VIAJAR O MUNDO ATRAVÉS DO WORK EXCHANGE. ECONOMIZE E AGREGUE EXPERIÊNCIAS RICAS NA SUA BAGAGEM.

Como foi a minha experiência de viajar fazendo work exchange durante um ano pelo mundo

Há algumas semanas, eu tive a sorte e o prazer de me deparar com a Bruna, uma viajante que está na estrada há mais de um ano e que encontrou no work exchange a solução para concretização de sua viagem. E como a minha meta aqui é ajudar cada vez mais você a tirar o sonho da viagem do papel, eu a convidei para compartilhar com os leitores do blog Por Uma Vida Mais Rica, como foi essa experiência transformadora.

Tenho certeza que seus relatos irão desmistificar muitas questões e ajudar você a entender como funciona esse estilo de viagem na prática!

Texto de Bruna Mattos:

Desde novinha sempre fui apaixonada por viajar! Descobrir o novo, saber o que existe “lá fora” e testemunhar como se vive além desse “casa-trabalho-escola” sempre foram pulguinhas atrás da orelha para mim.

Sou graduada e pós-graduada em Relações Internacionais, e minha primeira viagem para fora do Brasil foi para os Estados Unidos e Canadá em 2011, durante as minhas férias. Desde então, fui contagiada pelo vício em cair na estrada e todos os anos planejava novas viagens. Nessa brincadeira fui para Argentina, Chile, Inglaterra, Espanha, Portugal e França, mas a hora do retorno sempre era difícil, me sentia angustiada em voltar a mesma rotina, ter que esperar mais 365 dias para poder viver o que realmente me dava prazer.

Eu trabalhava na minha área, em uma boa empresa. Estava construindo uma carreira e indo em direção a um caminho que eu não tinha certeza se era para mim. Até que lá no trabalho foi anunciado que meu departamento seria transferido para a matriz da empresa, em outro município, e eu teria que fazer uma viagem de 70km todos os dias para ir e voltar (lembrando que isso tudo era em São Paulo, cidade mundialmente conhecida pelo trânsito intenso). Bem, esse foi o último empurrãozinho que eu precisava para largar tudo e seguir minha maior paixão, mundar!

img_9410

Coragem é tudo que você precisa!

O mais difícil eu já tinha, a coragem em seguir nessa aventura. Agora precisava estudar um grande detalhe: como vou conseguir viajar por muito tempo sem muita verba para isso? Eu acompanhava muitas histórias de pessoas que venderam casa, carro e outros bens, e caíram na estrada… No meu caso eu não tinha nada disso para vender, só um carrinho velho que mal me comprava uma passagem de ida e volta.

Até que conheci o website Workaway.info através de um amigo. Comecei a fuçar no site e literalmente encontrei um mundo de oportunidades! Era simplesmente o que eu precisava para transformar meus sonhos em planos! Trabalhar por acomodação e comida? Isso iria reduzir muitíssimo meus gastos nas viagens, o que ajudaria a me manter na estrada por mais tempo.

Quando contei aos meus amigos sobre meus planos de largar o trabalho e viajar no esquema work exchange, todos acharam que eu era louca e que estava me metendo numa enrascada. Mas até aí eu também acho loucos aqueles que deixam o medo engolir seus sonhos. Tudo é uma questão de ponto de vista!

img_9362

Comecei a olhar no mapa os lugares onde gostaria de me voluntariar (viajar assim é uma delícia) e meu primeiro país foi a Irlanda. As únicas exigências que eu tinha eram: aprender coisas novas e viver de uma forma diferente! Tendo isso em mente, ficou mais fácil e gostoso viver todas as experiências que tive pela França, Tailândia, Camboja, Austrália, Nova Zelândia e Indonésia. Fiz literalmente de tudo, desde trabalhar em grandes fazendas limpando galinheiros até ensinar inglês para crianças carentes.

E a questão do visto?

Eu visitei todos esses lugares com visto de turista e nunca disse na imigração que estava indo fazer trabalho voluntário, até porque o work exchange nunca ocupou 100% do meu tempo. Não é que eu ache errado dizer a verdade ou que seja proibido, mas acredito que é um conceito novo de viagem e ainda pouco conhecido. Eu sempre digo que estou de férias, o que não deixa de ser verdade. Geralmente eu passo 1 mês em cada país viajando pelas principais cidades e reservo umas 2 semanas para me dedicar ao voluntariado – com exceção da Austrália, onde morei 10 meses e trabalhei em hostels por diferentes cidades durante 8 meses.

A experiência na Indonésia

Minha última experiência trabalhando por acomodação foi na Indonésia. Um país que sempre chamou minha atenção pela quantidade de ilhas e pela sua complexidade cultural – budistas, cristãos, hindus e maioria muçulmanos (cerca de 90%)  vivendo em paz e harmonia – e claro, também porque as passagens do norte da Austrália até Bali são uma pechincha!

img_9409

A experiência de work exchange no sudeste asiático é bastante enriquecedora, e lições valiosas podem ser aprendidas com os obstáculos que vão surgindo. Os desafios culturais são bem maiores e zona de conforto não existe por aqui. Banhos de canequinhas, privadas no chão, comidas sem a higiene que estamos acostumados e trânsito caótico fazem parte do dia a dia.

Sinto também que estou efetivamente ajudando o próximo, doando meu tempo e meus valores a pessoas que pensam totalmente diferente de mim.  Ensinar inglês para ser livre, para que o mundo não se resuma ao vilarejo onde aquelas pessoas vivem. Ensinar que devemos lavar as mãos antes de comer, que não devemos queimar o lixo e tantas outras coisas que para muitos já são questões ultrapassadas.

img_9257

Mas, qual era meu trabalho afinal?

Meu anfitrião (host) era muçulmano, dono de uma escola de idiomas e em paralelo também ministrava aulas de inglês para deficientes visuais gratuitamente. Eu trabalhava cerca de 3 a 4 horas por dia, de segunda a sexta, auxiliando os professores durante as aulas, interagindo com os alunos, criando atividades e tornando o contato com o segundo idioma algo natural.

O trabalho com os alunos deficientes foi algo marcante. Crianças e jovens adoráveis que enxergam o mundo de outra forma, que sonham em ser músicos e cantores, mesmo com todas as dificuldades que enfrentam. Ser deficiente visual em qualquer lugar é difícil, mas em um país onde o conceito de inclusão ainda é desconhecido os torna verdadeiros guerreiros.

As tarefas podiam parecer simples, mas reconheço que foi bem complicado, pois existem muitas barreiras além do idioma. Os alunos são muito tímidos na hora de falar, muitos deles não sabem manter contato visual quando conversam, principalmente as meninas. Expressar uma opinião própria não era fácil, nem no próprio idioma.

A acomodação era na casa da família do meu host e com outros voluntários.  Café da manhã e almoço eram parte do acordo,  e geralmente jantávamos fora com o pessoal da escola (o valor da refeição dava uma média de $1,5,  incluindo bebida).

Em 2 semanas de voluntariado, eu gastei 80,00AUD que convertendo sai em torno de 200,00 reais. Admito que economizei bastante também, pois a região onde eu estava era cercada por piscinas naturais, templos, montanhas, vulcões e nenhum desses passeios exigia desembolsar muito dinheiro.

img_9412

Nas nossas horas vagas aproveitávamos para relaxar, ler, jogar cartas, e fazer caminhadas pelos campos de arroz. Aos finais de semana podíamos ir até a cidade vizinha, ou passear pela região.

Minha primeira experiência negativa

Eu estive nessa ilha na Indonésia por 2 semanas, e antes desse lugar eu fui para um host que não gostei muito. Tive pela primeira vez uma “decepção”. O host cobrava uma doação, que às vezes é normal pois como há muita pobreza, o dinheiro acaba sendo utilizado para algum fim dentro da comunidade. Mas nesse caso, eu percebi que ele pedia a contribuição financeira para fins pessoais. O valor era pequeno, mas isso vai contra a filosofia do trabalho por acomodação.

Por esse motivo, decidi mudar e voltei a procurar outras opções no site Workaway. Encontrei rapidamente um outro local, onde fui calorosamente recebida e integrada na família e amigos do meu host como o work exchange deve ser!

dscn1019

Depois de mais de 10 experiências com work exchange, essa má experiência me serviu de aprendizado. A dica que dou é: mesmo lendo os feedbacks dados por outros voluntários nos sites especializados, procure trocar e-mails, perguntar como é o trabalho e, caso o host cobre uma doação, PERGUNTE qual é a finalidade da contribuição. Se o host não estiver mal-intencionado, não terá motivo para não te dizer. Relatei o que aconteceu à equipe do Workaway, que já entrou em contato comigo. Espero que eu tenha conseguido ajudar a evitar isso no futuro com próximos voluntários.

A volta para “casa”

Depois de 1 ano e 6 meses mundando pela Europa, Ásia e Oceania, chegou a hora de dar uma passada em “casa”. Minha irmã se casará no final do ano, e quero estar presente nesse momento tão importante para ela.

É engraçado voltar depois de tanto tempo, pois sei que tudo estará igual, menos eu. Faltam poucas semanas para chegar a São Paulo e ainda não sei o que quero, mas sei muito bem o que não quero!  Não quero a vida de antes: casa-trânsito-trabalho e viver esperando pelos finais de semana. Depois de ter vivido e testemunhado tanto nessa experiência, de ter aprendido a viver de diferentes formas, sinto que minha missão agora é outra. Me enfiar num escritório das 8 às 5 almejando bons salários e vivendo de férias a cada 365 dias não é mais para mim.

img_9320

O que é para mim? Com 26 anos, tenho que saber responder? Me questionei muito e tive que vencer meus próprios preconceitos. Sempre pensei que eu já fosse velha para começar uma aventura dessas, e que com 25 eu já teria que estar com uma carreira engatilhada e com uma vida estável. Até que você conhece pessoas como você ou até bem mais velhas e que estão na mesma situação.

Como farei com minha situação financeira? Sim, estarei desempregada, mas depois dessa viagem percebi que não precisamos de muito para se ter uma vida feliz e confortável. Além disso, nós brasileiros somos mestres na arte de dar um jeitinho em tudo!

Quero muito aproveitar meus próximos meses com minha família e amigos, matar toda a saudade e comer todos os pães de queijo que eu quiser! Se vou parar de mundar? Com certeza não!!! O mundo é tão grande e tão diverso para ficarmos sempre no mesmo lugar. Viajar é muito mais fácil do que você imagina. Seja ousado, não tenha medo de arriscar e lembre-se: não há dinheiro mais bem investido do que aquele onde você gasta se aventurando em viagens pelo mundo!

photo-9-04-2016-3-41-58-pm

Bruna Mattos é formada em Relações Internacionais e em 2015 abandonou o seu emprego e carreira promissores para se aventurar pelo mundo, mochilando e fazendo work exchange. Atualmente planeja suas próximas aventuras enquanto escreve seu blog, o Brumundando.com, onde compartilha todas as suas experiências dicas e aprendizados. Instagram (@brumunando), Facebook

Post Author
Amanda Barbosa

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Instagram

Por Uma Vida Mais Rica ☆Se reinventando na maneira de viajar o mundo. Colaboração + tecnologia = experiências ricas (e econômicas)☆by Amanda Barbosa 👻Snapchat: vidamaisrica

Siga-me no Instagram