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7 dicas e a inspiradora história de uma iniciante em work exchange no sul da França

Algumas semanas atrás, eu recebi um e-mail de uma leitora do blog Por Uma Vida mais Rica, que por algum motivo (e olha que eu acredito que NADA nessa vida acontece por acaso), mencionou o quanto sua experiência com work exchange no sul da França foi importante para a sua vida.

Naquele momento, eu não sabia muitos detalhes sobre a experiência, mas apenas pelo tom de suas palavras, eu senti que essa viagem poderia encorajar e ajudar você em sua jornada pela busca de uma vida mais rica e, claro, com mais viagens… e então, eu resolvi convidá-la para compartilhar como foi que essa história deu início….

E não é que eu estava certa?

Texto de Karine Brito:

Era dezembro de 2015 e eu havia finalmente decidido deixar o meu emprego corporativo e seguir pelo mundo da educação. Eu não determinei uma data, mas sabia que minha saída aconteceria entre junho e julho. Naquele momento, pensei que uma viagem, um tempo fora seria essencial e um divisor de águas para essa nova fase que iria chegar.

Eu sabia que deveria ser Europa e que eu gostaria de retornar a França e conhecer um pouco mais do que eu já havia visitado em 2014, ou seja, alguma coisa além de Paris, que eu amo incondicionalmente, diga-se de passagem. Mas, antes de entrar um pouco mais na aventura que foi essa viagem, vou contar um pouquinho sobre mim.

Eu nunca havia viajado de avião antes de completar 22 anos, quando decidi ser Au Pair. Para quem não conhece, o Au Pair é um programa no qual você mora com uma família e ajuda cuidando das crianças como babá. Em troca, eles pagam um valor em estudos e pagam pelo seu trabalho como babá também!

Foi através desse programa que eu aprendi inglês e vivi dois anos incríveis nos Estados Unidos, além de conhecer o amor por viajar. Quando o programa terminou, eu decidi voltar para o Brasil para finalizar minha faculdade e pensar o que faria a seguir. Não apenas me formei, como entrei naquela conhecida “linha de produção”: busca pelo estágio dos “sonhos”, emprego dos “sonhos” e etc.

Depois de 6 anos, eu me via presa em uma realidade que me deixava ansiosa e infeliz. Por um presente divino, dois amigos queridos me pediram para ensiná-los Inglês e, apesar de não me achar capaz na época, eu decidi aceitar. Esses dois alunos viraram dezesseis, em um ano, e eu descobri uma nova paixão. Foi aí que eu vi que já poderia sair da empresa onde estava e buscar outros sonhos. Mas onde entra o Work Exchange nisso tudo? Vem cá que eu te conto.

Voltando lá pra história do primeiro parágrafo, quando comecei a pesquisar possibilidades de passagens e, após alguns testes, consegui os seguintes trechos: Fortaleza – Lisboa (passaria uma semana em Lisboa) /Lisboa – Paris( 3 semanas na França)/ Paris – Fortaleza por R$ 2.100,00. Esse valor para saídas do Nordeste é MUITO bom e ainda poderia ser parcelado.

O problema era o seguinte, essa passagem só se mantinha nesse valor, se eu passasse trinta dias. Tentei diversas opções de datas, tentando diminuir a quantidade de dias, e os valores quase duplicavam. Eu estava saindo do meu trabalho, viraria autônoma e não queria fazer gastos altos em meio a um período de instabilidade.

Foi então que compartilhei minha angústia com uma amiga que já estava morando em uma fazenda na Irlanda há um ano e meio de forma voluntária e ela, de imediato, me animou: “Compra! Qualquer coisa você faz workaway.” Minha resposta foi instantânea: “Você acha que isso é confiável mesmo?!”. Ela, de pronto, respondeu: “Claro que é! Tenho amigas que já fizeram. ”

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Eu já tinha ouvido falar do programa, mas sempre surge aquele medinho ou desconfiança da parte de quem nunca participou, certo? Mas, eu resolvi arriscar e comprei a passagem. Minha idéia seria apenas “turistar” por 15 dias e os outros 15 dias eu viveria a experiência do Work Exchange como forma de minimizar meus custos e ver se o programa valia a pena de fato!

De passagem comprada, os próximos passos foram:

1.Entrar no site e fazer o pagamento da assinatura anual no site Workaway: U$29.00. OBS: Você pode fazer uma pesquisa prévia para ver se existem famílias na região que você deseja visitar, mas você só poderá entrar em contato com essas famílias, após o pagamento da assinatura. O site é bem simples e intuitivo.

2.Decidir a região onde você deseja ficar

Eu queria muito conhecer a Riviera Francesa e sonhei ficar em Nice. Procurei algumas famílias na região e existem SIM, porém, são poucas e ou já estavam lotadas ou não responderam. Então, fica a dica: caso você queira ficar nessa região, procure com bastante antecedência.

Comecei a pesquisa com três meses e ainda não foi suficiente. Mesmo não conseguindo uma família na região exata onde eu gostaria, continuei insistindo no Sul da França. Eu gostaria de ter uma experiência diferente da que tinha tido em 2014, quando passei duas semanas apenas em Paris.

3. Escolher uma família com a qual você se identifique

É super importante que você leia bem o perfil de cada família. Cada informação conta muito. Claro que a característica mais importante nessa experiência toda é a flexibilidade.

Eu, por exemplo, acabei ficando em uma família de fumantes, mesmo sendo um pouco alérgica, mas essa história eu conto daqui a pouco. A maioria dos perfis possuem muitas informações e fotos da família/pessoa que vai recebê-lo(a), além de depoimentos de outros workwayers.

Não deixe de dar chances a famílias que são de primeira viagem também. Se você gostou do perfil e da troca de mensagens, acredito que vale a pena tentar. Mas se a ansiedade bater, opte por uma família que combine com o seu perfil e que tenha muitos depoimentos positivos.

4. Escrever para essas famílias

Por ser minha primeira experiência, eu achava que nunca nenhuma família iria me querer, rs. Por isso, no primeiro dia, saí contatanto milhares de pessoas. Apesar de sempre analisar cuidadosamente o perfil de cada um, eu enviava um texto muito similar para todas, o que causou o bloqueio da minha conta por 24 horas. Eu achei isso incrível, na verdade, rs, porque foi aí que eu entendi a importância da forma de tratar cada família e a seriedade do site.

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Para minha surpresa, muitas pessoas responderam, algumas agradecendo o contato e dizendo que não tinham mais disponibilidade para época ou explicando que duas semanas para eles era um período muito curto. De maneira geral, achei as famílias muito abertas, solícitas, honestas e diretas.

Eu comecei minhas buscas no início de maio, e eu chegaria no local do workaway por volta de 8 de Agosto. No dia seguinte, uma família já me respondeu e fechamos a minha ida! Mas, essa não foi a família com a qual eu fiquei no final das contas. Continua comigo que eu te explico já!

5. Fechar com uma família

Assim que uma família disser que pode receber você, certifique-se de que está claro quais são os objetivos de cada um e as atividades que eles esperam de você! No meu perfil, já estava claro minha experiência com crianças e a possibilidade de ensinar inglês, mas eu estava realmente muito aberta para qualquer atividade, desde que eles pudessem me direcionar.

6. Checar acesso ao local

Algumas famílias vivem em fazendas distantes dos grandes centros e o custo com o transporte é do workawayer e não dos proprietários. No caso da minha, o acesso era bastante restrito. Quero esclarecer que essa foi uma opção minha. Você pode achar famílias bem próximas do centro de Paris, por exemplo.

Fui eu que decidi ter uma experiência em um local um pouco mais isolado onde eu teria tempo pra pensar sem muitas opções pra me distrair ao redor. Inclusive, a própria dona da vila deixou claro que não existia muito o que fazer ao redor da fazenda e eu respondi que isso seria ótimo para os meus objetivos, rs. Por isso, eu paguei um ticket de trem que ida e volta, me custou 107 euros, ou seja, um valor por volta de 400 reais.

Mas, é totalmente possível fazer o programa sem a necessidade dessa taxa. Inclusive, uma das formas seria através do Blablacar. Para quem não conhece, o Blablacar é um site para “caronas”. Os proprietários do carro disponibilizam suas rotas e horários em um site e você pode pedir uma “carona” e ajudar com o valor do gás. No meu caso, não haviam rotas e horários compatíveis e, por isso, não pude experimentá-lo. Porém, amigos viajantes utilizaram e adoraram a experiência.

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7. Preparação e imprevistos

É importante saber que, assim como qualquer outra, essa experiência pode ter seus imprevistos. Após alguns dias, a dona da fazenda entrou em contato comigo e, pedindo muitas desculpas, lembrou que receberia alguns amigos nas datas que eu havia planejado e, por isso, não poderia me hospedar.

Ela perguntou se eu já havia comprado a passagem de trem, pois, nesse caso, ela me ajudaria a achar outra família próxima. Eu disse que não havia comprado a passagem, mas que gostaria muito de ficar naquela região e se ela pudesse me ajudar a achar uma outra família, eu agradeceria. Assim ela fez. E foi dessa forma que eu fui parar em um local incrível: uma vila privada de 700 anos que, hoje, é alugada para casamentos!

De cara, eu e Anneli, uma das responsáveis pela vila, nos demos muito bem. Eu agradeci pela disponibilidade e, após algumas mensagens, decidimos todos os detalhes. Eles eram fumantes e tinham um gatinho e eu sou bastante alérgica. Ela disse que o local onde eu dormiria seria afastado da “zona de fumantes” e que, de toda forma, eles procurariam fumar nas regiões mais abertas para  não me prejudicar. Além disso, o gatinho passava os dias fora da casa principal e a área da vila era enorme.

Dessa forma, decidi aceitar. Eu acredito, de verdade, que lá era o local que eu deveria ir. Se você acredita, posso dizer que eu senti isso. Então, eu chegaria no dia 08 de Agosto, na estação de Agen, e Anneli me pegaria lá. De Agen até a Vila, seriam ainda 30 minutos de carro.

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A chegada na Vila, minhas atividades e gastos:

No dia combinado, Anneli estava na estação me aguardando e sua filha de 8 anos veio também. Foi um momento lindo! Saímos do centro da cidade de Agen e entramos em um “mundo paralelo” de plantações de girassóis ao som de músicas da Disney no carro. Aquilo que era tão usual para eles, para mim, eram cenas de filme.

Anneli me mostrou a Vila e o quarto onde ficaria (fiquei em um quarto com banheiro só para mim, mas geralmente, há divisão de quartos). Me apresentou Tara, uma Americana que também estava voluntariando na casa e Javier, um espanhol que, depois de 2 meses como workawayer voltou para trabalhar como funcionário na Vila.

Todos me receberam muito bem e foram muito solícitos. Anneli disse que eu poderia me sentir à vontade para comer o que eu quisesse do armário e da geladeira. Na primeira semana, me levou ao supermercado e disse que eu poderia escolher o que gostaria de comer. Foi aí que eu, com um pouco de vergonha, comprei 6 euros em chocolate para manter no meu quarto, caso sentisse vontade.

Tudo foi, de fato, custeado por eles, em troca do serviço acordado, claro! :). De toda forma, fica aqui a dica e meu incentivo para você se sentir à vontade. Se ficou acordado que toda a parte de alimentação seria por conta deles, desfrute de forma responsável e sempre cooperativa (nos revezássemos na limpeza dos pratos e etc).

A língua mais falada era o inglês mesmo, pois Anneli é inglesa, mas tive algumas poucas oportunidades de treinar Francês.

Como a vila recebia casamentos que duravam o final de semana inteiro, a rotina mais pesada de limpeza e arrumação acontecia de segunda a quarta. Para essas atividades, já existiam funcionários pagos. De toda forma, eu me ofereci para ajudar com arrumação de algumas camas, aspirar o chão, ajudar a servir em alguns churrascos de casamento, além de dar uma olhadinha nas crianças, quando preciso.

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O trabalho era bem simples e poucas horas por dia. No meu intervalo, eu podia interagir com as crianças que me ensinavam um pouco de francês, com o outro responsável pela vila que já havia passado 8 anos viajando e tinha muitas histórias para contar e, na maioria desses dias, sempre sentávamos para jantar juntos. Anneli, como excelente chef, preparava pratos deliciosos que nós saboreávamos com um bom vinho e excelentes conversas. Além de uma paisagem incrível.

Em uma das noites, de forma muito gentil, eles me levaram para jantar no centro histórico da cidade mais próxima. O local era lindo, como nos filmes. E me pediram desculpa pois aquelas eram semanas agitadas e não poderiam me levar para conhecer as cidades vizinhas. Mas eu não me importei, uma vez que a experiência dentro da vila foi sensacional. Além de tudo isso, Anelli me levou para um pic nic com a família em um dos dias.

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Depois das duas semanas, eu me despedi, deixando uma lembrancinha para cada um e muito, muito agradecida por uma experiência tão fantástica. E, acreditem vocês, eles me deram 30 euros porque, segundo eles, eu havia ajudado de forma extra. Não entendi até hoje, mas recebi agradecida os 30 euros. Ou seja, na verdade, eu ganhei dinheiro, no final das contas, rs.

Didier, o outro responsável pela fazenda foi me deixar na estação e eu voltei a Paris e, logo em seguida, ao Brasil com mais uma experiência linda e inesquecível na bagagem.

Eu gostaria de ter conhecido o work exchange antes e ter viajado esse mundão inteiro ajudando e sendo ajudada, mas a gente também deve acreditar que tudo tem seu tempo certo! Quero participar do programa em outras oportunidades, com certeza e em breve, se Deus quiser!

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Se você é flexível, gosta de servir o outro, colaborar, adora conhecer e ouvir diferentes histórias, além de amar viajar, não tenha dúvidas de que o work exchange é a experiência pra você!

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E para finalizar, deixo aqui um diálogo que me marcou muito ao me despedir da minha experiência:

Era meu último dia na Vila. Didier me dirigiu ate a estação de Agen, onde eu pegaria o trem de volta pra Paris. Didier está perto dos 50, passou 8 anos da vida viajando a trabalho ou trabalhando viajando. Sabe tudo sobre vinho, história, política, etc.

No meio da conversa, ele disse:
– E aí, voce volta pra casa e percebe que já não pertence mais aquele local. Você quer outras coisas. 

Eu rapidamente respondi:
– Verdade. É bem triste isso.

Ele:
– Não, claro que não. É aí que você descobre uma nova casa.

Eu olhei sem entender bem o que ele queria dizer.

Ele:

– É nesse momento que você entende que sua casa é aqui (apontando pra cabeça). Essa é a sua casa.

Eu virei pro lado e olhei para aquelas plantações de girassóis lindas e sem fim. Entendi.

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Se quiser tirar dúvidas a respeito de work exchange ou então encontrar pessoas que estejam buscando parceiros para esse tipo de viagem, é só entrar lá no grupo fechado do blog Por Uma Vida Mais Rica no Facebook. Clique aqui para solicitar participação.


17Formada em Administração, mas professora de inglês por paixão, Karine Brito já foi Au Pair nos Estados Unidos, por dois anos, e foi lá que descobriu a paixão por viajar. Ama línguas e histórias. Tem muitos estados dos Estados Unidos, Espanha, Portugal, Inglaterra, Itália, França e Alemanha na memória e o mundo inteiro na lista de planejamento.

 

Post Author
Amanda Barbosa

Comentários

3 Comentários
  1. postado por
    Amanda Barbosa
    dez 15, 2016

    Oi Camila, tudo bem? Claro! Segue o Facebook da Karine: https://www.facebook.com/karine.brito.167?fref=ts
    Beijos

  2. postado por
    Anneli
    dez 6, 2016

    Karine – how wonderful this is to read! Had to do a translation of course but really, you brought a tear to my eye. Thank you so much for the wonderful memories, endless laughter and so many happy times that fitted into just 2 weeks! You are a wonderful person and will no doubt continue to have many adventures and spread happiness where you go. We will be here if ever you want to come back and see us. It was a perfect exchange! Much love from all of us at the crazy village!

  3. postado por
    Camila
    nov 30, 2016

    Parabéns pela matéria e experiência. Gostaria de fazer contato com a Karine pra pegar umas dicas, pois meu interesse é justamente na França e queria bater um papo, é possível? Tem como passar o contato dela?

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