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7 dicas e a inspiradora história de uma viajante em seu work exchange no sul da França

E nessas minhas andanças entre mundos físicos e digitais, me deparei com a história da Karine, que trocou o mundo corporativo para trabalhar com o que ama: ensinando inglês… mas, durante a sua transição de vida, veio a decisão de se aventurar em uma viagem de work exchange no sul da França. E o resultado, você confere no relato abaixo:

Texto de Karine Brito:

Era dezembro de 2015 e eu havia finalmente decidido deixar o meu emprego corporativo e seguir pelo mundo da educação. Eu não determinei uma data, mas sabia que minha saída aconteceria entre junho e julho de 2016.

Naquele momento, pensei que uma viagem, um tempo fora seria essencial e um divisor de águas para essa nova fase que iria chegar. Eu sabia que deveria ser Europa e que eu gostaria de retornar a França e conhecer um pouco mais do que eu já havia visitado em 2014. Ou seja, alguma coisa além de Paris, que eu amo incondicionalmente, diga-se de passagem!

Work exchange no sul da França - Por Uma Vida Mais Rica

Eu nunca havia viajado de avião antes de completar os 22 anos, quando decidi ser Au Pair. Para quem não conhece, o Au Pair é um programa no qual você mora com uma família e ajuda cuidando das crianças como babá. Em troca, eles pagam um valor em estudos e pagam pelo seu trabalho como babá também! Foi através desse programa que eu aprendi inglês e vivi dois anos incríveis nos Estados Unidos, além de conhecer o amor por viajar.

Quando o programa terminou, eu decidi voltar para o Brasil para finalizar minha faculdade e pensar o que faria a seguir. Não apenas me formei, como entrei naquela conhecida “linha de produção”: busca pelo estágio dos “sonhos”, emprego dos “sonhos” e etc. Depois de 6 anos, eu me via presa em uma realidade que me deixava ansiosa e infeliz.

Por um presente divino, dois amigos queridos me pediram para ensiná-los Inglês e, apesar de não me achar capaz na época, após alguma insistência por parte deles, decidi aceitar. Esses dois alunos viraram dezesseis, em um ano, e eu descobri uma nova paixão. Foi aí que eu vi que já poderia sair da empresa onde estava e buscar outros sonhos.

Mas onde entra o work exchange nisso tudo?

Vem cá que eu te conto.

Work exchange no sul da França - Por Uma Vida Mais Rica

Quando comecei a pesquisar possibilidades de passagens, consegui os seguintes trechos: Fortaleza – Lisboa (passaria uma semana em Lisboa) /Lisboa – Paris (3 semanas na França)/ Paris – Fortaleza por R$ 2100,00. Esse valor para saídas do Nordeste é MUITO bom e ainda poderia ser parcelado. Estou parecendo funcionária da TAP, não é? hahaha, mas não! Eu não tinha milhas suficientes e a passagem teria que ser paga com dinheiro, então fiquei muito feliz quando encontrei esse valor.

O problema era que essa passagem só se mantinha nesse valor, se eu passasse trinta dias. Tentei diversas opções de datas, diminuí a quantidade de dias e os valores quase duplicavam. Eu estava saindo do meu trabalho, viraria autônoma e não queria fazer gastos altos em meio a um período de instabilidade. Foi então que compartilhei minha angústia com uma amiga, que estava morando em uma fazenda na Irlanda há um ano e meio de forma voluntária, que de imediato, me animou:

“Compra! Qualquer coisa você faz “Workaway” (esse é um dos sites especializados em oportunidades de work exchange).

Minha resposta foi instantânea: “Você acha que isso é confiável mesmo?!”

Ela, de pronto, respondeu: “Claro que é! Tenho amigas que já fizeram.”

Eu já tinha ouvido falar do programa, mas sempre surge aquele medinho ou desconfiança da parte de quem nunca participou, certo? Mas, eu resolvi arriscar e comprei a passagem. Minha ideia seria apenas “turistar” por 15 dias e os outros 15 dias eu viveria a experiência do work exchange como forma de minimizar meus custos e ver se o programa valia a pena de fato!

Work exchange no sul da França - Por Uma Vida Mais Rica

De passagem comprada, os próximos passos foram:

1.Entrar no site Workaway e fazer o pagamento da assinatura anual: U$29.00.

Obs: você pode fazer uma pesquisa prévia para ver se existem famílias na região que você deseja visitar, mas você só poderá entrar em contato com essas famílias, após o pagamento da assinatura. O site é bem simples e intuitivo.

2.Decidir a região onde você deseja ficar 

Eu queria muito conhecer a Riviera Francesa e sonhei ficar em Nice. Procurei algumas famílias na região e existem SIM, porém, são poucas e ou já estavam lotadas, ou não responderam. Então, fica a dica: caso você queira ficar nessa região, procure com bastante antecedência. Eu comecei a pesquisa com três meses e ainda não foi suficiente.

Mesmo não conseguindo uma família na região exata onde eu gostaria, continuei insistindo no sul da França. Eu estava em busca de uma experiência diferente da que tive em 2014, quando passei duas semanas apenas em Paris.

3.Escolher uma família com a qual você se identifique

É super importante que você leia bem o perfil de cada família. Cada informação conta muito. Claro que a característica mais importante nessa experiência toda é a flexibilidade. Eu, por exemplo, acabei ficando em uma família de fumantes, mesmo sendo um pouco alérgica, mas essa história eu conto daqui a pouco.

A maioria dos perfis possuem muitas informações e fotos da família/pessoa que vai recebê-lo(a), além de depoimentos de outros voluntários. Não deixe de dar chances a famílias que são de primeira viagem também. Se você gostou do perfil e da troca de mensagens, acredito que vale a pena tentar. Mas se a ansiedade bater, opte por uma família que combine com o seu perfil e que já tenha depoimentos positivos.

 

4.Escrever para essas famílias

Por ser minha primeira experiência, eu achava que nunca nenhuma família iria me querer, rs. Por isso, no primeiro dia, saí escrevendo para milhares de famílias. Apesar de sempre analisar cuidadosamente o perfil de cada um, eu enviava um texto muito similar para todas, o que causou o bloqueio da minha conta por 24 horas. Eu achei isso incrível, na verdade, rs, porque foi aí que eu entendi a importância da forma de tratar cada família e a seriedade do site.

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Para minha surpresa, muitos hosts responderam, algumas agradecendo o contato e dizendo que não tinham mais disponibilidade para época ou explicando que duas semanas para eles era um período muito curto. De maneira geral, achei as famílias muito abertas, solícitas, honestas e diretas.

Eu comecei minhas buscas no início de maio (minha viagem teria início em 25 de julho, mas eu só chegaria no local do work exchange por volta de 8 de agosto). No dia seguinte ao envio das mensagens, uma família já me respondeu e já fechamos a minha ida! Mas essa não foi a família com a qual eu fiquei no final das contas. Continua comigo que eu te explico já!

5.Fechar com uma família 

Assim que uma família disser que pode receber você, certifique-se de que está claro quais são os objetivos de cada um e as atividades que eles esperam de você! No meu perfil, já estava claro minha experiência com crianças e a possibilidade de ensinar inglês, mas eu estava realmente muito aberta para qualquer atividade, desde que eles pudessem me direcionar.

6.Checar acesso ao local

Alguns hosts vivem em fazendas distantes dos grandes centros, e o custo com o transporte é do voluntário e não dos anfitriões. No caso do meu host, o acesso era bastante restrito. Quero deixar claro aqui que essa foi uma opção minha. Você pode achar famílias bem próximas do centro de Paris, por exemplo. Fui eu que decidi ter uma experiência em um local um pouco mais isolado onde eu teria tempo pra pensar sem muitas opções pra me distrair ao redor.

Inclusive, a própria dona da vila deixou claro que não existia muito o que fazer ao redor da fazenda e eu respondi que isso seria ótimo para os meus objetivos, rs. Por isso, eu paguei um ticket de trem que ida e volta, me custou 107 euros, ou seja, um valor por volta de 400 reais. Mas, é totalmente possível fazer o programa sem a necessidade dessa taxa.

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Uma forma mais em conta de viajar é através do Blablacar. Para quem não conhece, o Blablacar é um site para “caronas”. Os proprietários do carro disponibilizam suas rotas e horários em um site e você pode pedir uma “carona” e ajudar com o valor do gás. No meu caso, não haviam rotas e horários compatíveis e, por isso, não pude experimentá-lo. Porém, amigos viajantes já utilizaram e adoraram a experiência.

7.Preparação e imprevistos

É importante saber que, assim como qualquer outra, essa experiência pode ter seus imprevistos. Após alguns dias, a dona da fazenda entrou em contato comigo e, pedindo muitas desculpas, lembrou que receberia alguns amigos nas datas que eu havia planejado e, por isso, não poderia me hospedar.

Ela perguntou se eu já havia comprado a passagem de trem, pois, nesse caso, ela me ajudaria a achar outra família próxima. Eu disse que não havia comprado a passagem, mas que gostaria muito de ficar naquela região e se ela pudesse me ajudar a achar uma outra família, eu agradeceria. Assim ela fez. E foi dessa forma que eu fui parar em um local incrível: uma vila privada de 700 anos que, hoje, é alugada para casamentos!

Durante os acertos, eu e Anneli, uma das responsáveis pela vila, nos demos muito bem. Eles eram fumantes e tinham um gatinho e eu sou bastante alérgica. Ela disse que o local onde eu dormiria seria afastada da “zona de fumantes” e que, de toda forma, eles procurariam fumar nas regiões mais abertas para  não me prejudicar.

Além disso, o gatinho passava os dias fora da casa principal e a área da vila era enorme. Dessa forma, decidi aceitar. Eu acredito, de verdade, que lá era o local que eu deveria ir. Se você acredita, posso dizer que eu senti isso.

A chegada na Vila, minhas atividades e gastos

No dia combinado, Anneli estava na estação me aguardando e sua filha de 8 anos veio também. Foi um momento lindo! Saímos do centro da cidade de Agen e entramos em um “mundo paralelo” de plantações de girassóis ao som de músicas da Disney no carro. Aquilo que era tão usual para eles, para mim, eram cenas de filme.

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Anneli me recebeu muito bem, me mostrou a Vila e o quarto onde eu ficaria (fiquei em um quarto com banheiro só para mim, mas geralmente, há divisão de quartos). Me apresentou Tara, uma americana que também estava voluntariando na casa e Javier, um espanhol que, depois de 2 meses como voluntário, voltou para trabalhar como funcionário na Vila.

Todos me receberam muito bem e foram muito solícitos. Anneli disse que eu poderia me sentir à vontade para comer o que eu quisesse do armário e da geladeira. Na primeira semana, me levou ao supermercado e disse que eu poderia escolher o que gostaria de comer. Foi aí que eu, com um pouco de vergonha, comprei 6 euros em chocolate para manter no meu quarto, caso sentisse vontade.

Mas tudo foi, de fato, custeado por eles, em troca do serviço acordado, claro! :). De toda forma, fica aqui a dica e meu incentivo para você se sentir à vontade. Se ficou acordado que toda a parte de alimentação seria por conta deles, desfrute de forma responsável e cooperativa, claro (sempre nos revezávamos na limpeza dos pratos e etc).

A língua mais falada era o inglês mesmo, pois Anneli é inglesa, mas tive algumas poucas oportunidades de treinar francês.

Como a vila recebia casamentos que duravam o final de semana inteiro, a rotina mais pesada de limpeza e arrumação acontecia de segunda a quarta. Para essas atividades, já existiam funcionários pagos. De toda forma, eu me ofereci para ajudar com arrumação de algumas camas, aspirar o chão, ajudar a servir em alguns churrascos de casamento, além de dar uma olhadinha nas crianças, quando preciso.

O trabalho era bem simples e poucas horas por dia. No meu intervalo, eu podia interagir com as crianças que me ensinavam um pouco de francês, com o outro responsável pela vila que já havia passado 8 anos viajando e tinha muitas histórias para contar e, na maioria desses dias, sempre sentávamos para jantar juntos. Anneli, como excelente chef, preparava pratos deliciosos que nós saboreávamos com um bom vinho e ótimas conversas. Além de uma paisagem incrível.

Em uma das noites, de forma muito gentil, eles me levaram para jantar no centro histórico da cidade mais próxima. O local era lindo, como nos filmes. Eles me pediram desculpas pela correria daquelas semanas, e por isso não poderiam me levar para conhecer as cidades vizinhas. Mas eu não me importei, uma vez que a experiência dentro da vila foi sensacional. Além de tudo isso, Anelli me levou para um pic nic com a família em um dos dias.

Work exchange no sul da França - Por Uma Vida Mais Rica

Depois das duas semanas, eu me despedi, deixando uma lembrancinha para cada um e muito, muito agradecida por uma experiência tão fantástica. E, acreditem vocês, eles me deram 30 euros porque, segundo eles, eu havia ajudado de forma extra. Não entendi até hoje, mas recebi agradecida os 30 euros. Ou seja, na verdade, eu ganhei dinheiro, no final das contas, rs.

Didier, o outro responsável pela fazenda, me deixou na estação e eu voltei a Paris e, logo em seguida, ao Brasil com mais uma experiência linda e inesquecível na bagagem.

Eu gostaria de ter conhecido o work exchange antes e ter viajado esse mundão inteiro ajudando e sendo ajudada, mas a gente também deve acreditar que tudo tem seu tempo certo! Quero participar do programa em outras oportunidades, com certeza e em breve, se Deus quiser!

Work exchange no sul da França - Por Uma Vida Mais Rica

Se você tem um perfil flexível, gosta de servir o outro, colaborar, ama conhecer e ouvir diferentes histórias, não tenha dúvidas que o work exchange é a experiência pra você!

 

Karine Brito é formada em administração, mas professora de inglês por paixão. Já foi Au Pair nos Estados Unidos, por dois anos, e foi lá que descobriu a paixão por viajar. Ama línguas e histórias. Tem muitos estados dos Estados Unidos, Espanha, Portugal, Inglaterra, Itália, França e Alemanha na memória e o mundo inteiro na lista de planejamento.

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Amanda Barbosa

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